O Melhor dos Alunos

“A Firma” e as opções éticas de Mitch McDeere por Said Boutros Yaghi Neto*

O filme A Firma (1993), dirigido por Sydney Pollack, com uma excelente atuação de Tom Cruise, nos traz à tona questões éticas ao apresentar uma importante passagem na vida de todo advogado recém-formado, que é o primeiro emprego.
Mitch McDeere, no filme A Firma, sofre um impacto muito grande ao se deparar com a realidade do escritório a qual se associou. Ele sai de uma realidade pacata de garçom e estudante, se depara com uma expectativa de trabalhar para um enorme escritório de advocacia e, finalmente, percebe o quão sujo era o seu ambiente de trabalho e seus empregadores. Aí se dá conta do tamanho do risco a que estava se expondo.
Ao se ver mediante tamanha confusão, se encontra em um dilema, desrespeitar o juramento da advocacia e revelar questões confidenciais de seus clientes e assim conseguir proteção do FBI, ou fazer vista grossa para os crimes de seus colegas de trabalho, se tornando “cumplice”, passando a ser um potencial alvo para o FBI.
Durante grande parte do filme, ele tende para a alternativa de quebrar o sigilo de seus clientes, porém não sem enfrentar uma grande questão legal e ética dentro de si. Em certo ponto, percebe que pode haver uma saída para o dilema anterior, descobrindo alguns crimes de menor potencial de seus colegas, que os colocaria na prisão de uma forma que não violaria a ética da advocacia.
Mesmo assim, após encontrar a saída para seu problema com a polícia e com seus clientes, ele sente sua estrutura da ética abala, ao não cumprir totalmente o que foi combinado com o agente do FBI. Ao fazer o acordo no meio do filme com o FBI, ele busca vantagem econômica e judicial para seu irmão, já sabendo que não iria cumprir o acordo fielmente.
Ao analisar o filme, chego à conclusão que as opções da vida podem sim nos levar a uma saída sem ética, mostrando que mesmo quando se busca ser o mais correto possível, tentando seguir a lei e os juramentos, ainda assim podemos eventualmente abalar o pilar da ética e da moral. Na ausência, porém, de opções totalmente corretas, o pior a se fazer é não fazer nada, sendo justificável a tentativa de preservar a vida dos seus entes queridos em detrimento de buscar uma dita ética, que em tal ponto já se tornou utópica.

 

* Acadêmico de Direito da PUC Goiás.

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