Ensaio

Escultura e gravura

A arte produzida no paleolítico superior envolveu três temas: a figura humana, os animais e sinais. Não há paisagem, plantas, utensílios ou desenho abstrato.
Pedra, marfim de mamute, osso e chifre de rena eram os materiais usados nas esculturas do paleolítico superior europeu que chegaram até nossos dias. As Vênus esteatopígicas da Europa paleolítica apresentam insistentes características em comum: escultura mobiliária (que não está presa a nenhuma rocha, podendo ser manuseada), quadril largo, seios amplos, pequenas dimensões (que permitem facilmente serem seguradas). Com poucas exceções, das quais a Vênus de Brassempouy é a mais expressiva, a representação da figura feminina não envolvia as feições do rosto. Também não costumavam ter mãos e pés. O sexo era bem definido e, às vezes, assumia dimensões bastante exageradas, denotando talvez o desejo de um parto sem problemas, em que mãe e filho sobrevivessem.
Os artistas do paleolítico superior também gravavam somente a vulva (dissociada do restante da anatomia feminina). Como o ser humano passou a ter consciência da concepção como resultado da união sexual muito posteriormente, a representação da vulva não tinha conotação fértil, podendo ser uma provável associação com o parto, pois não havia dúvida de que a criança sai por ali. Não se pode deixar de registrar a possibilidade de a representação da vulva estar vinculada à busca de um simbolismo sexual. Essa possibilidade é reforçada pelas esculturas de falos, produzidas pelo homem do paleolítico superior, como por exemplo as que foram encontradas no Périgord (França) e estão atualmente no Museu Nacional da Pré-história de Eyzies (Aubarbier; Binet, 1997, p. 68).

 

image54
Figura 1. Estatueta feminina denominada Vênus de Montpazier. Feita de limonita, com 5,6 x 1,6 cm, ela pertence ao período Gravetiano (cerca de 25.000 aC). Em um período em que a motivação da sexualidade era a fertilidade, a representação da figura feminina não envolvia o detalhamento das feições do rosto. Fonte: Museu de Arqueologia Nacional, Saint-Germain-en-Laye, França. Disponível em http://musee-archeologienationale.fr/phototheque/oeuvres/figurine-dite-le-losange_sculpture-technique_steatite
image55
Figura 2. René Magritte, “Os amantes” (1928). Na pré-história, a representação da figura feminina não envolvia as feições do rosto. No mundo contemporâneo, tanto as feições femininas quanto as masculinas são ocultadas pelo individualismo, pela negação do outro ou pela necessidade (real ou imaginária) de se defender do outro. Fonte: http://lounge.obviousmag.org/hepatopatia_cronica/2012/02/os-amantes-de-rene-magritte—critica-a-modernidade-liquida.html

um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s