Ensaio

O diálogo com a deusa Mãe

A disposição de enfrentar a natureza, que fez aquele ser tomar a iniciativa de construir o instrumento e tornar-se humano, vai se manifestar novamente, e de forma inédita, quando ele vai em busca, pelo rito e pela arte, da comunicação com as forças simbólicas da natureza, as únicas que ele conhecia. Com a lasca na mão, ele começou a construir o simbolismo. O domínio da representação da figura humana e do animal, no paleolítico superior, deixou significativos restos materiais da relação simbólica que o ser humano estabeleceu com o mundo natural. Anterior às artes plásticas, na aurora da humanidade, o ponto de partida dessa comunicação simbólica foi o rito que não deixou restos materiais. Esse ponto de partida é impossível precisar, apesar de as indicações gerais estarem ao alcance da imaginação.
Ao visar o mundo onde viviam há muito tempo, onde viviam desde sempre na concepção da época, os homens do paleolítico superior observavam algumas formas, seja nas pedras, seja nas paredes das cavernas, que lembravam formas conhecidas. Ao fixarem a atenção sobre uma superfície não era difícil identificar ali algo familiar. Mesmo hoje em dia, todos nós, alguma vez na vida, já fizemos essa experiência, identificando formas conhecidas na natureza, numa pedra, entre as nuvens ou mesmo nas paredes do quarto de dormir.

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Figura 1. A Vênus de Dolni Vestonice foi feita de cerâmica cozida e representa uma deusa da fertilidade. Datada de 29.000 a 25.000 aC (período Gravetiano), essa estatueta tem 11,1 cm de altura e 4,3 cm de largura máxima. Museu Morávio em Brno, República Tcheca. Pelo rito e pela arte, o ser humano busca comunicação com as forças simbólicas da natureza, a deusa Mãe. Fonte: Instituto de Investigación sobre Evolución Humana A.C. Disponível em http://www.iieh.com/noticias/noticias/noticias/evolucion-tecnologia-2
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Figura 2. Matisse, “Grande nu reclinado” (1935). The Baltimore Museum of Art, Baltimore. 66 x 92 cm. Pela arte, o ser humano busca comunicação com as forças simbólicas presentes no outro. Fonte: Eclaircie après la pluie. Disponível em http://eclaircie.canalblog.com/archives/2010/05/15/17899308.html

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