Ensaio

Do prático ao simbólico

Não fazendo parte de sua cosmovisão as relações causais que explicassem as mudanças incessantes que ocorriam no meio ambiente, desorientando-se com a constante transformação da natureza, o ser humano do paleolítico aceitava que tudo que o cercava tinha uma mobilidade própria e um ânimo (uma alma) que vinha do interior da natureza, vale dizer, o Cosmo fazia o que queria/precisava, de forma semelhante a ele e aos demais membros do grupo. Essa visão de mundo era decorrente de uma compreensão simbólica dos fenômenos naturais. Esse é o fundamento do mundo sobrenatural em que ele vivia.
O nascimento do rito e da arte se insere nesse mundo povoado de seres, amigos e inimigos (situações animadas que o beneficiavam ou que o prejudicavam), em que a persistente transformação da realidade objetiva não se fazia independente dele, mas em relação a ele. A ideia de causa e efeito na relação do homem com a natureza (e não a relação de causa e efeito intrínseca aos fenômenos naturais) é a essência do rito, no qual se procurava influenciar a natureza de alguma maneira. Aquele homem dava alma e direito de existência autônoma, apesar de relacionado com ele, a tudo e mantinha um diálogo com toda realidade (minerais, plantas e animais) que, de uma forma ou outra, estava sempre lhe dizendo ou lhe fazendo alguma coisa.

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Figura 1. Flauta feita entre 42 mil e 43 mil anos atrás por homens pré-históricos com ossos de pássaros (Foto: Universidade de Tuebingen/BBC). Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2012/05/pesquisadores-encontram-instrumentos-musicais-mais-antigos-do-mundo.html
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Figura 2. Marc Chagall, teto do palácio da Ópera Garnier em Paris (1964). A foto é resultado da filmagem com o auxílio de um drone. Olhaí a flauta que nasceu há mais de 40 mil anos. Fonte: http://www.francemusique.fr/actu-musicale/l-opera-garnier-comme-vous-ne-l-avez-jamais-vu-23435

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