Ensaio

O que é o belo?

A busca estética contemporânea está associada à intenção de se buscar o belo como comunicação profana, fazendo parte da relação com o outro. Para se entender a sensibilidade estética do ser humano em uma época anterior ao surgimento da individualidade, deve-se fazer um esforço de alteridade, uma tentativa de ser outro, e admitir que o belo, nessa época, é o que pode sensibilizar a divindade e não o que pode ser admirado pelo outro.
Entretanto, a questão não é simples, pois se a intenção do artista do paleolítico era a comunicação com a divindade, ele sabia que essa comunicação seria tanto melhor quanto mais bela (e por isso mais transcendente) fosse sua arte. Preocupado com o sagrado, pensando na divindade, ele procurava o belo. Ao fazer a biface, o ser humano se ocupava do belo e do sagrado. A elegância da confecção da biface refere-se a uma estética vivenciada e produzida pelo ser humano de milhares de anos atrás.

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Figura 1. Essas bifaces de sílex mostram as variações do belo em torno de um tema inicial, a simetria. Fonte: http://www.fossiliraptor.be/coupdegueule.html
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Figura 2. Tarsila do Amaral, “A Cuca” (1924). Óleo sobre tela. Centre national des arts plastiques, Paris. Tal como a simetria, a intensidade das cores é um estímulo que recebemos da natureza visível. O ambiente onírico, resultado do simbolismo infantil, talvez seja outro elemento de ligação com a biface, construída na infância da humanidade. Fonte: Museu nacional de arte moderna, Centro Pompidou, Paris. Foto do autor (2014)

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