O Melhor dos Alunos

Experiência estética com a torre do relógio

Texto de Eliara Sandim, acadêmica da PUC Goiás, para a disciplina de Arte e Filosofia para Arquitetura e Urbanismo

 

Era uma tarde de sol impiedoso, céu azul claro quase brilhante, uma brisinha esporádica e ares secos e quentes parecidos com os que eu imaginava em Goiânia nos seus primeiros anos… Me aproximando da Torre do Relógio e tentando me colocar naquela época, quando o monumento devia ser um dos elementos mais altos da cidade, me dispersei com o vai e vem ininterrupto dos carros e das pessoas: “Acho que ele esperava por isso…”, pensei sobre o relógio.

E lá estava ele. Algumas pichações, umas folhas de “lambida goiana” meio grudadas, meio rasgadas, os detalhes metálicos enferrujados, o vidro sujo, um odor intenso de ureia e o relógio parado às 13:30 sabe-se lá de qual data denunciavam a sua condição de esquecimento…

Me veio à cabeça o Atílio[1], desenhando o monumento, cada friso… “Ou será que foi um estagiário?”. Bem, seja lá quem tenha sido, foi alguém imaginando o relógio em pé, marcando encontros e marcando o tempo dos encontros, acelerando o passo das pessoas, dos cavalos, depois das rodas dos carros, apressando a construção da nova capital em torno dele, de tal modo que a própria cidade o ultrapassou, e ele ficou… Os prédios em volta foram erguidos mais altos que a Torre, cuja concepção o determinava como mais importante referencial da cidade planejada: “Será que quem desenhou pensou que a velocidade da Art déco pararia esse relógio?”.

Procurando alguém para me fotografar ao lado dele, comprovando a entrevista, escolhi uma moça sentada num daqueles banquinhos da Av. Goiás; ela estava de costas para nós e voltada para a rua frenética do “agora, agora, agora, agora…”. Pedi que me fizesse uma gentileza e, quando ela olhou pra mim, percebi que era uma antiga colega de escola. Estudamos juntas no primário, mas ela não se lembrou de mim. Não éramos amigas, mas sei que era ela… Ela me fotografou, eu agradeci, ela disse que precisava ir e foi…

E, bem, a situação ilustrou o meu diálogo com a Torre do Relógio. Me vi num momento em que as palavras encontro, esquecimento, passado e futuro, velocidade e lugar adquiriram um significado diferente, de solenidade.

 

[1] Atílio Corrêa Lima, responsável pelo primeiro plano urbanístico de Goiânia.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s