Ensaio

O Instinto e a Cultura

Aquele ser humano não conhecia passado nem futuro. Só lhe importava o presente, o agora, o aqui. Nessas condições, ele vivia o eterno presente. Com a construção do instrumento, inicia-se o processo de superação do eterno presente, porque, junto com a construção da lasca, ele criou a intencionalidade. Ele faz a lasca aqui e agora com a intenção de usá-la depois; ele sabe que vai poder usá-la depois.
O conflito entre a vivência do eterno presente e o presente real que se mostra em constante transformação deu nascimento à visão simbólica do mundo, base da produção artística. Em contrapartida, a arte deu ao homem os meios de que ele precisava para superar o eterno presente e adotar a transcendência.
O ser humano buscou a transcendência e o belo desde tempos muito recuados. Fazem parte dessa evolução: a biface, a inumação, a pintura corporal, as Vênus esteatopígicas e as pinturas rupestres.

image5.jpegFigura 1. O homem usou essa pedra lascada durante o período mais recuado da pré-história, o Paleolítico Inferior.
Fonte da imagem: Wikipédia
image6.jpegFigura 2. Jackson Pollock, “Number 1” (1948). A arte abstrata, ao se desligar da realidade visível e adotar o puro confronto de cores e formas, se aproxima, talvez, daquela realidade impalpável, vivida por nossos antepassados, quando o eterno presente e a ausência de intencionalidade prevaleciam.
Fonte da imagem: http://www.jackson-pollock.org

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s